Carta Mensal - Novembro 2025
- Auro Capital

- 15 de dez. de 2025
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No mês de novembro foi encerrado o shutdown do governo americano que durou mais de 40 dias. O episódio gerou perdas relevantes para a economia e atrasou a divulgação de diversos indicadores. Com a normalização do calendário de dados, ficou mais claro que a economia dos Estados Unidos segue resiliente, embora em um ritmo de crescimento mais moderado. O mercado de trabalho continuou apresentando sinais graduais de arrefecimento, em linha com o processo de desaceleração observado nos últimos meses.
O principal destaque segue sendo o setor de tecnologia, especialmente nas áreas ligadas à inteligência artificial. Apenas em 2025, os investimentos das grandes empresas do setor se aproximam de meio trilhão de dólares, sustentando o desempenho de segmentos específicos da economia. Ainda assim, o mercado acionário americano apresentou desempenho praticamente estável no mês, com alta de apenas 0,1%.
O banco central americano tem reforçado sua preocupação com o enfraquecimento do mercado de trabalho e tratado a inflação acima da meta como um fenômeno transitório. Esse diagnóstico sustenta a expectativa de continuidade do ciclo de cortes de juros, ainda que as próximas decisões dependam da evolução dos dados econômicos. No campo fiscal e comercial, o governo americano reduziu tarifas sobre diversas commodities, com o objetivo de aliviar pressões de preços no consumo, movimento que beneficiou as exportações brasileiras, especialmente de café e carne.
Na Europa, os dados mais recentes apontaram recuperação da atividade econômica em um ambiente de inflação controlada. Esse cenário trouxe maior otimismo para os mercados, com as bolsas europeias registrando valorização de 1,3% no mês. A melhora da atividade na região contribuiu para um quadro global mais construtivo, marcado por crescimento sustentado, inflação sob controle e baixa probabilidade de uma desaceleração abrupta nos Estados Unidos — combinação historicamente favorável para os mercados acionários.
No Brasil, o Banco Central manteve a taxa Selic na reunião de novembro e adotou uma comunicação firme, indicando a permanência dos juros em patamares elevados por um período prolongado. Por outro lado, a ata destacou sinais de desaceleração da atividade e melhora nas perspectivas para a inflação, além de um leve arrefecimento do mercado de trabalho. Esses fatores sustentaram a expectativa de parte do mercado do início do ciclo de cortes de juros já em janeiro de 2026. Os ativos locais tiveram desempenho bastante positivo no mês: a bolsa avançou 6,4%, o dólar recuou 0,9% e os títulos indexados à inflação se valorizaram cerca de 2%.
No campo político, o ambiente segue intenso, com disputas relevantes entre os principais atores em Brasília, especialmente em temas ligados à segurança pública e aos desdobramentos da condenação do ex-presidente Bolsonaro. À frente, o foco do mercado começa a se voltar para as articulações políticas de 2026, ano eleitoral que tende a ser novamente marcado por forte polarização, elevando a volatilidade, mas também criando oportunidades para uma gestão ativa dos investimentos.




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