Carta Mensal - Janeiro 2026
- Auro Capital

- 20 de fev.
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O ano começou com maior tensão geopolítica. A captura de Nicolás Maduro foi o principal evento do mês e trouxe volatilidade ao mercado de petróleo. Como a Venezuela detém as maiores reservas da commodity no mundo, o episódio gerou movimentos relevantes nos preços e acabou influenciando outros mercados financeiros globais. Também tivemos manifestações no Irã e nova pressão dos Estados Unidos sobre a Groenlândia, o que gerou desconforto em países europeus e reforçou um ambiente internacional mais sensível a eventos políticos.
No campo econômico, o Federal Reserve manteve os juros estáveis, interrompendo momentaneamente o ciclo de cortes, decisão já esperada pelo mercado. Outro ponto importante foi a definição do sucessor do atual presidente do Fed, após um período prolongado de especulações e preocupações sobre a independência da autoridade monetária. O indicado foi Kevin Warsh, ex-membro do Fed e profissional com experiência e boa interlocução nos mercados. A escolha foi bem recebida e ajudou a reduzir incertezas.
Nos mercados, a bolsa americana subiu 1,4% no mês e o ouro atingiu novas máximas, com alta de 13,1%, refletindo o risco geopolítico atual. O movimento de maior diversificação global continuou: ações europeias avançaram 4,4% e mercados emergentes subiram 8,8%. A Europa tem buscado ampliar suas relações comerciais, incluindo avanços em acordos com o Mercosul e a Índia, além de aumentar gastos em defesa e adotar estímulos fiscais para sustentar a atividade.
No Brasil, o Copom manteve a Selic no patamar atual, mas sinalizou de forma mais clara a possibilidade de início de cortes já na próxima reunião. O mercado ainda debate a magnitude, com 0,50 ponto percentual sendo hoje o cenário mais provável. A bolsa brasileira teve forte entrada de recursos e subiu 12,6% no mês, enquanto o dólar recuou 4,9%, movimento consistente com o fluxo para ativos locais.
Como já antecipamos em nosso último comentário, seguimos vendo o ano como propício para ativos de maior risco, tanto no Brasil quanto no exterior. Apesar dos riscos geopolíticos e de uma Selic ainda elevada no curto prazo, o cenário de inflação mais comportada e perspectiva de redução de juros cria um ambiente mais favorável para investimentos em renda variável e ativos globais.




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