Carta Mensal - Março 2026
- Auro Capital

- há 18 horas
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O mês de março foi marcado pela continuidade da guerra no Oriente Médio, que acabou se estendendo mais do que o mercado inicialmente previa. Apesar de um começo mais favorável aos Estados Unidos, o Irã demonstrou grande capacidade de resistência, principalmente com o uso de drones de baixo custo e ações estratégicas no Estreito de Ormuz.
Os impactos nos mercados foram rápidos. O preço do petróleo subiu logo no início do conflito, trazendo preocupações com a alta da inflação, reduzindo projeções de crescimento global e aumentando a incerteza geopolítica. As bolsas mais afetadas foram as europeias, com queda de 10,3%, e as de países emergentes, que recuaram 13,3% — reflexo da dependência da importação de petróleo. Nos Estados Unidos, as ações também tiveram um mês negativo, com queda de 5,1%.
Além disso, ativos que deveriam servir como proteção às carteiras dos investidores não se comportaram dessa forma. O ouro, que vinha em forte alta, caiu 11,6% no mês. Esse movimento provavelmente refletiu uma busca por liquidez: muitos investidores acabaram vendendo posições que estavam no lucro para cobrir perdas em outras partes de seus portfólios.
Outro destaque negativo foram os fundos de renda fixa brasileira de crédito privado, bastante presentes nas carteiras dos investidores. Desde fevereiro, eventos de crédito envolvendo empresas de grande porte — incluindo pedidos de recuperação extrajudicial — aumentaram a percepção de risco. Com isso, somado ao ambiente geopolítico mais tenso, essa classe acabou rendendo em torno de 70% do CDI no mês, abaixo de seus retornos históricos, impactando o desempenho das carteiras.
No Brasil, a Selic foi reduzida em 0,25 ponto percentual, passando para 14,75% ao ano. O fluxo de investidores estrangeiros para a bolsa continuou positivo, o que ajudou o mercado local a apresentar um desempenho relativamente melhor. O Ibovespa caiu apenas 0,7% no mês, uma das menores quedas entre os principais mercados.
Portanto, no geral, foi um mês de queda de rentabilidade na maioria das carteiras de investimentos, principalmente nos perfis que alocam em ativos de maior volatilidade.
Na Auro, analisamos a guerra atual e eventos semelhantes do passado para traçar nossa estratégia de gestão. Normalmente, os mercados de ações e os fundos multimercados se desvalorizam nas primeiras etapas dos conflitos, para depois de 1 a 2 meses apresentarem recuperação consistente. Apesar da incerteza inerente a eventos como esse, optamos por não realizar mudanças nas carteiras, evitando vendas em momentos de queda. Os primeiros dias de abril já mostram sinais de recuperação dos mercados, reforçando essa decisão. Seguimos acompanhando de perto os desdobramentos e mantendo o foco em uma gestão consistente e de longo prazo.




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