Carta Mensal - Fevereiro 2026
- Auro Capital

- 20 de mar.
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Fevereiro foi mais um mês marcado por elevada volatilidade nos mercados globais. Nos Estados Unidos, o governo Trump sofreu um revés relevante em sua política tarifária, após a Suprema Corte se posicionar contra as medidas implementadas em 2025. Como consequência, negociações comerciais que estavam avançadas foram impactadas, levando o governo a adotar uma tarifa comum de 10%, o que gerou insatisfação em diversos países diante de mais uma decisão unilateral.
No fim do mês, o cenário geopolítico ganhou ainda mais relevância com o início de uma ofensiva militar envolvendo Estados Unidos, Israel e o Irã. O conflito trouxe impactos diretos para a logística no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% da produção global de petróleo, impulsionando os preços da commodity para níveis ao redor de USD 100 por barril. Esse movimento aumenta as preocupações com a inflação global, especialmente em países dependentes de importação de energia, e levanta dúvidas sobre a trajetória de juros à frente. A bolsa americana apresentou leve queda de -0,9%, enquanto o setor de tecnologia, teve desempenho mais fraco, com o índice Nasdaq recuando -3,4%. Por outro lado, ativos de proteção voltaram a se destacar, com o ouro avançando +7,9% no período.
Um dos efeitos mais imediatos do conflito foi o fortalecimento do dólar, que vinha em trajetória de depreciação, pressionando principalmente ativos de mercados emergentes, um ativo que gerava bons retornos aos investidores.
Na Europa, o cenário segue mais construtivo. Dados recentes indicam uma composição mais equilibrada da atividade econômica, com a desaceleração das exportações sendo compensada por uma demanda doméstica mais forte, especialmente via consumo público, além de políticas industriais voltadas ao fortalecimento da produção local.
No Brasil, a manutenção da taxa Selic em patamares elevados e contracionistas reforça a expectativa de desaceleração do crescimento em 2026, com o mercado projetando um PIB próximo de 1,8%, mesmo diante de estímulos fiscais relevantes. Há expectativa de início do ciclo de corte de juros em março, embora o cenário externo — especialmente os impactos inflacionários do conflito no Oriente Médio — possa influenciar o ritmo desse movimento. Os investidores estrangeiros continuaram aportando recursos no Brasil e o índice Bovespa subiu 4,1% no mês.
Um ponto importante no mês foi o impacto de renegociações de dívidas de grandes empresas, que afetaram o mercado de crédito como um todo. Alguns fundos apresentaram retornos abaixo do CDI no período, refletindo ajustes pontuais. Como essa classe de ativos tem peso relevante nas carteiras, houve impacto no desempenho consolidado. Avaliamos, no entanto, que se trata de eventos específicos, sem caráter estrutural, com tendência de recomposição ao longo do tempo.
Na Auro Capital, seguimos alinhados a uma visão próxima ao consenso de mercado, que considera que o conflito no Oriente Médio tenha duração limitada e impactos moderados sobre inflação e atividade global. Diante desse cenário, optamos por manter uma postura cautelosa, sem alterações relevantes nas carteiras, que seguem predominantemente conservadoras ou moderadas. Para os perfis mais dinâmicos, também mantemos disciplina na alocação em ativos de maior risco, aguardando maior clareza do ambiente antes de eventuais movimentos.




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