Carta Mensal - Junho 2026
- Auro Capital

- 14 de jul.
- 2 min de leitura
Junho foi marcado pelo alívio das tensões que vinham preocupando os mercados desde o final de fevereiro. O conflito no Oriente Médio avançou rumo a um acordo entre Estados Unidos e Irã, e o preço do petróleo recuou de forma significativa, voltando para perto do nível anterior à guerra. Esse movimento ajudou a reduzir as preocupações com a inflação em diversas partes do mundo.
Nos Estados Unidos, a economia continua forte, mas o mês trouxe uma mudança de tom relevante. O banco central americano (Fed) manteve os juros estáveis, na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, porém revisou suas projeções de inflação para cima e passou a admitir a possibilidade de elevar os juros ainda este ano. Isso representa uma inversão importante: até pouco tempo, o mercado esperava cortes, não altas.
O mês também marcou a troca do comando do Fed, a primeira em quase oito anos. O novo presidente adotou uma comunicação mais direta e deu menos sinais sobre os próximos passos, o que deve aumentar a imprevisibilidade dos mercados.
Na bolsa, o resultado foi misto: o índice Dow Jones, formado por empresas mais tradicionais, avançou 2,5% no mês, enquanto o S&P 500 recuou cerca de 1% e a Nasdaq, concentrada em tecnologia, caiu quase 3%, com investidores realizando lucros após a forte alta acumulada no primeiro semestre.
Na Europa, a dependência de energia importada continua sendo o principal desafio. A inflação ainda preocupa, e o banco central europeu subiu os juros em 0,25 ponto percentual. Mesmo assim, as bolsas da região tiveram um leve aumento, beneficiadas pelas ações de tecnologia e pelo alívio trazido pelas notícias do Oriente Médio no fim do mês.
Nos países emergentes, o destaque continuou sendo Taiwan e Coreia do Sul, com empresas ligadas à fabricação de chips que se beneficiam do forte investimento global em inteligência artificial. A China, principal compradora das commodities brasileiras, manteve sua indústria em expansão, porém suas ações caíram fortemente no mês (-7,9%), por questões tarifárias e desvalorização de suas empresas de IA.
No Brasil, a inflação trouxe uma boa notícia: o índice de preços de junho subiu 0,41%, abaixo do esperado, e a inflação acumulada em doze meses recuou para 4,80%. Isso permitiu ao Banco Central reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, seguindo o ritmo lento e gradual de queda dos juros.
Entretanto, o mercado não interpretou bem essa comunicação mais “otimista” do Bacen, fazendo com que a curva futura de juros subisse. Os investidores estrangeiros seguiram retirando recursos da bolsa brasileira, o dólar subiu mais de 2% no mês, e o Ibovespa fechou no negativo pelo quarto mês seguido.
A queda do Ibovespa no mês foi de 1,0%, ainda que acumule alta de quase 7% no ano. Foi, de forma geral, um mês ruim para os ativos brasileiros de maior risco.
Por fim, vale destacar o forte recuo do preço do ouro, que caiu 12% em junho, seu pior trimestre em mais de dez anos. Parte dos recursos que antes buscavam segurança no ouro migrou para ativos de maior risco, como as ações ligadas à inteligência artificial, em um cenário de juros americanos mais altos e menor temor em relação à guerra no Oriente Médio.




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