Carta Mensal - Julho 2026
- Auro Capital

- 21 de ago.
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Julho foi marcado pela retomada das tensões no Oriente Médio, levando o petróleo novamente para próximo de US$ 90 por barril e reacendendo as preocupações com inflação e aumento de juros nas economias desenvolvidas. Nos Estados Unidos, porém, a inflação veio abaixo das expectativas, ajudando a aliviar parte dessas preocupações.
O Banco Bentral americano (Fed) manteve os juros estáveis, na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, pela quinta reunião seguida, embora alguns de seus dirigentes tenham defendido uma elevação das taxas. A forma de comunicação do novo presidente do Fed ainda não foi bem entendida pelo mercado, contribuindo para a volatilidade dos juros americanos. As taxas de longo prazo permanecem elevadas, chegando a 5,2% ao ano, em meio às preocupações com o elevado nível da dívida pública americana. Juros mais altos por um período prolongado podem pressionar as cotações das ações e aumentar o custo de crédito e financiamento.
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos avançaram com uma nova rodada de tarifas comerciais, atingindo diversos países, incluindo o Brasil. Em contrapartida, as grandes empresas de tecnologia mantiveram seus planos de investimentos em infraestrutura para inteligência artificial, sustentando a perspectiva de crescimento do setor nos próximos anos. O mês, entretanto, foi de leve queda para as ações americanas, com o índice amplo recuando 0,13%, enquanto o setor de tecnologia apresentou uma baixa mais acentuada, de 3,2%.
Na Europa, o Banco Central Europeu manteve os juros inalterados, mas sinalizou que uma nova elevação poderá ocorrer em setembro, diante do risco de que a alta da energia volte a pressionar preços e salários. Apesar desse cenário, as bolsas europeias chegaram a atingir novas máximas históricas ao longo do mês, apoiadas pela divulgação de resultados corporativos sólidos.
Nos mercados emergentes, o mês foi marcado por uma forte rotação entre os mercados. As ações de empresas de semicondutores de Taiwan e, principalmente, da Coreia do Sul sofreram perdas expressivas, após meses de forte valorização associada ao crescimento dos investimentos em inteligência artificial. Na direção oposta, a bolsa chinesa avançou cerca de 9%, recuperando parte das perdas registradas em junho. No conjunto, o índice de ações de mercados emergentes recuou 3,3% no mês.
No Brasil, a primeira metade de julho foi marcada pela apreensão em torno das novas tarifas americanas sobre produtos brasileiros, que entraram em vigor no dia 24 e acrescentaram 37,5% às tarifas sobre parte relevante das exportações para os Estados Unidos. A medida, contudo, veio acompanhada de uma extensa lista de exceções, incluindo produtos como carne, café, petróleo e aeronaves. Somada aos resultados mais fracos de alguns bancos no início da temporada de balanços, essa incerteza levou o Ibovespa a se aproximar dos 173 mil pontos em meados do mês. Na segunda metade de julho, o cenário se reverteu, com a recuperação das bolsas internacionais, os resultados corporativos e a expectativa de novos cortes de juros impulsionando uma forte recuperação. O Ibovespa encerrou o mês com alta de 3,47%, interrompendo uma sequência de quatro meses de perdas e elevando o ganho acumulado em 2026 para mais de 10%.
A inflação também apresentou uma evolução favorável. O IPCA de julho avançou apenas 0,07%, levando a inflação acumulada em 12 meses para 4,44%. Diante desse cenário, o Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,00% ao ano, dando continuidade ao ciclo de cortes iniciado no começo do ano. Mesmo com a perspectiva de redução gradual dos juros, o nível ainda elevado da Selic continua proporcionando uma remuneração atrativa para a renda fixa brasileira, que permanece como componente importante das carteiras.
Na Auro Capital, entendemos que o cenário atual continua favorecendo oportunidades na renda fixa brasileira, especialmente em investimentos pós-fixados, diante da manutenção da Selic em níveis elevados. Para os perfis de maior tolerância a risco, seguimos vendo oportunidades nos investimentos em ações internacionais, especialmente em empresas relacionadas à inteligência artificial. Acreditamos que a expansão dessa tecnologia ainda está em uma fase inicial e que o ciclo de investimentos em infraestrutura e aplicações de IA pode se estender por vários anos. Ao mesmo tempo, os riscos geopolíticos permanecem elevados e a forte volatilidade das empresas de tecnologia exige cautela e disciplina na alocação.




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