Carta Mensal - Setembro 2026

Em setembro, os principais bancos centrais do mundo voltaram a subir os juros para conter a inflação, que segue pressionada pelos preços de energia por causa da guerra no Oriente Médio. A alta dos juros pesou sobre os mercados internacionais. No Brasil, o movimento foi o oposto: o Banco Central seguiu cortando a Selic e a mudança no cenário eleitoral animou os investidores, levando a bolsa a um dos seus melhores meses do ano.
Nos Estados Unidos, a economia mostrou mais força do que o esperado. A geração de empregos de agosto veio quase três vezes acima das projeções, e a inflação, puxada pela gasolina, acelerou. Diante disso, o banco central americano (Fed) subiu os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano, a primeira alta desde 2023, e sinalizou que novos aumentos podem vir ainda este ano. Nas bolsas, os resultados das empresas ligadas à inteligência artificial seguiram fortes e a Nasdaq subiu 1,9%, enquanto o S&P 500 recuou 0,5%. Os juros mais altos também prejudicaram os títulos de crédito de empresas no exterior, que caíram cerca de 2,5% no mês.
Na Europa, o banco central europeu (BCE) também elevou os juros em 0,25 ponto, a segunda alta do ano, e o Banco do Japão seguiu o mesmo caminho. Grande importadora de energia, a Europa sente mais o impacto do petróleo caro, e as bolsas europeias caíram 4,6% no mês.
Nos mercados emergentes, o índice de ações recuou 0,8%, mas ainda acumula alta de 21,4% no ano. A China foi o destaque negativo, com queda de 4,8%, e segue no vermelho em 2026.
No Brasil, os dados confirmaram uma desaceleração gradual da economia. O PIB do segundo trimestre cresceu 0,5%, um pouco acima do esperado, mas com queda no consumo das famílias. No início do terceiro trimestre, indústria, varejo e serviços perderam força, e o IBC-Br, espécie de termômetro mensal do PIB publicado pelo Banco Central, caiu pelo segundo mês seguido.
A inflação começou o mês bem comportada: o IPCA de agosto registrou deflação de 0,3%, ajudado pela queda na energia, nas passagens aéreas e nos combustíveis. Com isso, o Banco Central cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, o quinto corte seguido, e indicou que os próximos passos dependerão dos dados. Na segunda metade do mês, a prévia da inflação de setembro (IPCA-15) subiu 0,7%, acima do esperado, pressionada pela conta de luz e por alimentos. O principal motor do mercado, porém, foi a eleição. O avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas foi visto pelo mercado como sinal de uma política fiscal mais austera, o que trouxe de volta o investidor estrangeiro após a forte saída de agosto. O Ibovespa subiu 5,0% no mês e acumula alta de 15,7% no ano.
No câmbio, o dólar ficou estável frente ao real, com o otimismo local compensando a alta dos juros nos Estados Unidos. O ouro caiu 6,6%, devolvendo parte da forte alta de agosto, já que juros mais altos tornam menos atrativo um ativo que não paga rendimento.
Os fundos de crédito privado pós-fixados, classe com maior peso nas carteiras dos nossos clientes, renderam abaixo do CDI: uma onda de resgates para liquidez obrigou esses fundos a vender títulos de empresas e derrubou seus preços, mesmo sem piora na saúde financeira dos emissores. Acreditamos que isso é uma oportunidade, pois os retornos futuros desses fundos devem ser atrativos.
Na Auro Capital, mantivemos a alocação diversificada entre Brasil e exterior, priorizando a renda fixa local enquanto a Selic segue elevada, e seguimos atentos à guerra no Oriente Médio, à pressão do petróleo sobre a inflação, e as oportunidades e riscos das eleições em outubro.




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