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Carta Mensal - Agosto 2026

Foto do escritor: Auro Capital
Auro Capital
há 11 minutos
3 min de leitura

Em agosto, a atividade econômica global seguiu melhorando, com Europa e Estados Unidos em bom ritmo de crescimento. Entretanto, aqui no Brasil, o movimento foi o oposto, com sinais mais claros de desaceleração. A guerra entre Irã e Estados Unidos continuou ao longo do mês e voltou a se intensificar na reta final, elevando o preço do petróleo e trazendo queda nos preços de ativos financeiros.


Nos Estados Unidos, a inflação seguiu comportada: os dados de inflação vieram abaixo do esperado, embora os custos dos serviços ainda mostrem alguma pressão. O Fed manteve a postura de esperar por mais dados antes de agir, mas o presidente da instituição, Kevin Warsh, adotou um tom mais duro recentemente, deixando a porta aberta para novos subidas de juros nos próximos meses.


Os juros longos americanos também chamaram atenção: as taxas dos títulos públicos americanos oscilaram forte no período, um sinal do desconforto do mercado com o custo da dívida, hoje acima de US$ 40 trilhões. Mesmo assim, as bolsas tiveram um mês forte embalada pelos resultados das empresas de IA: o S&P 500 subiu 2,6% e a Nasdaq, recuperando-se da forte correção de julho, avançou 3,9%.


Na Europa, o cenário foi parecido: o crescimento surpreendeu para cima, com o PIB da Alemanha revisado positivamente, e a inflação voltou a vir abaixo do esperado. As bolsas europeias fecharam o mês com alta de 1,2%.


Nos mercados emergentes, agosto foi de recuperação, com o índice de ações subindo 3,2% e revertendo parte das perdas de julho, puxado principalmente pelas bolsas asiáticas ligadas a semicondutores. A China ficou de fora do movimento, com leve queda de 0,4% no mês e ainda no negativo no ano.


No Brasil, o quadro foi mais desafiador. A produção industrial e o IBC-Br, espécie de termômetro mensal do PIB publicado pelo Banco Central, vieram abaixo do esperado, confirmando a perda de força da economia no fim do segundo trimestre.

O mercado de trabalho, porém, seguiu resiliente: a taxa de desemprego voltou a rondar as mínimas históricas e a renda real segue em alta, ainda que a geração de empregos com carteira assinada tenha perdido um pouco de ritmo.


A inflação trouxe boas notícias: o IPCA de julho manteve o ritmo de desinflação gradual, e a prévia de agosto surpreendeu com deflação, puxada por alimentos, combustíveis e energia. Com atividade mais fraca e inflação menos pressionada, o Banco Central cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,00% ao ano, mas manteve um discurso cauteloso, de olho na inflação de serviços e nas expectativas ainda desancoradas.


O cenário eleitoral também pesou: pesquisas mostrando Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados num eventual segundo turno provocaram forte saída de estrangeiros da bolsa na maior parte do mês, movimento revertido só nas últimas semanas. A alta do petróleo, por sua vez, beneficiou ações como a Petrobras.


No saldo final, o Ibovespa fechou agosto praticamente estável, com queda de 0,33%, mas segue com alta de mais de 10% no ano.


No câmbio, o dólar subiu 2,05% frente ao real, refletindo a maior aversão a risco no mundo. O ouro teve um mês excepcional, com alta de quase 10%, beneficiado pela escalada no Oriente Médio e pelas incertezas políticas no Brasil e nos Estados Unidos.


Na renda fixa local, títulos pós-fixados atrelados ao CDI seguiram entregando bons retornos.


Na Auro Capital, mantivemos a alocação diversificada entre Brasil e exterior, priorizando a renda fixa local enquanto a Selic segue elevada, e seguimos de olho tanto na guerra no Oriente Médio quanto no calendário eleitoral brasileiro, que deve ganhar cada vez mais peso nos próximos meses.

 
 
 

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