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O impacto da Americanas nos fundos de crédito

A Auro monitora regularmente a maioria dos fundos de investimento disponíveis nas principais plataformas de distribuição e bancos brasileiros. Esse monitoramento divide os fundos de investimentos em classes e sub-classes de ativos de características semelhantes e cobre diversos indicadores de retorno e risco, além de suas correlações com o mercado.


Este monitoramento regular é a base de avaliação e seleção de fundos de investimentos, permitindo à área de gestão a escolha das melhores opções disponíveis no mercado, em cada classe de ativos.


No recente monitoramento de janeiro/23, fomos entender o impacto do recente episódio de problemas contábeis da empresa Americanas, que causaram rápida perda de valor dos seus títulos de créditos no mercado, as suas debêntures. Debêntures são título de crédito emitidos por empresas e que servem para financiar seus investimentos de expansão e capital de giro. Estes títulos são comprados (investidos) por pessoas físicas e jurídicas. Neste estudo estávamos interessados em saber especificamente o impacto destes títulos nas carteiras dos fundos de investimento.


A Auro monitora 106 fundos de renda fixa que tem carteiras constituídas principalmente de títulos de crédito de empresas, as debêntures. Parte destes fundos tinham em suas carteiras as debêntures das Lojas Americanas. Poucos dias depois dos eventos de mercado, estas debêntures tiveram os seus valores reduzidos drasticamente nos fundos, prática de conservadorismo, o que é indicado nesses casos.


Definimos três grupos de impacto nesta análise. O primeiro são os fundos que não tiveram impacto ou tiveram impacto irrelevante, pois tiveram sua rentabilidade acima de 80% do CDI, seu retorno esperado (ou benchmarking). O segundo grupo foi determinado por fundos que tiveram rentabilidade positiva no mês de janeiro/23, porém abaixo destes 80% de retorno do índice CDI. O último grupo, foi aquele onde houve perda de valor do fundo no mês, pois a rentabilidade foi negativa.


De forma resumida, dos 106 fundos monitorados, tivemos:

. 50% ficaram no grupo 1, não tendo impacto relevante na rentabilidade

. 27% ficaram no grupo 2, com retornos positivos, porém abaixo do esperado

. 23% ficaram no grupo 3, com retornos negativos no mês.


Além disso, constatou-se que quanto maior o tempo de resgate dos fundos, maior o percentual no grupo 3, com retornos negativos. Como exemplo, apenas 17% dos fundos mais líquidos tiveram perdas no mês, enquanto 33% dos fundos de mais que 30 dias de resgate tiveram retornos negativos em janeiro/23.


Importante também fazer as considerações positivas neste caso. Apesar das perdas pontuais em janeiro, mesmo os fundos com os piores resultados tiveram um ganho praticamente igual ao CDI no acumulado de 12 meses (incluindo janeiro). Isso mostra, que mesmo tendo um evento grave no período, a diversificação de um fundo de investimentos, que aplica em dezenas ou centenas de empresas, protege o capital dos investidores em períodos mais longos de tempo.

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